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Política

Publicada em 16/11/15 às 09:25h - 393 visualizações
Eterno governista, PMDB quer ser a alternativa à polarização PT-PSDB
Partido discute as propostas para um Brasil pós-Dilma, com ou sem o impeachment

Do El País


Temer na sede do PMDB, em abril  (Foto: E. Rodrigues/Agência Senado)

Desde a redemocratização do país, independentemente de quem estivesse na presidência, ao seu lado estava o PMDB. Agora, 21 anos após lançar seu último candidato presidencial, o partido quer aproveitar a crise do Governo Dilma Rousseff (PT) para deixar de ser um apêndice governista e se preparar para ter novamente um nome próprio para o Palácio do Planalto.O primeiro ato de uma série que deve ocorrer nos próximos anos está marcado para esta terça-feira, quando militantes e dirigentes partidários reúnem-se em Brasília para debater o programa de Governo do partido, mudanças no seu estatuto e iniciar o treinamento dos candidatos às eleições municipais do ano que vem.


A clara antecipação do calendário eleitoral de 2018 tem como objetivo discutir um Brasil pós-Dilma, com ou sem o impeachment dela e colocar-se como alternativa à polarização PT-PSDB, segundo consenso dos seus representantes. É raro para um partido visto como eterno governista. Em um dos vídeos em que convoca a militância para participar do encontro, o vice-presidente da legenda, o senador Valdir Raupp, ressalta que o PMDB é o "partido da governabilidade". Além de estar ao lado de Dilma na esfera federal, os peemedebistas estão presentes como governadores ou vice em 11 dos 27 Estados, têm 996 prefeitos (quase um quinto do país) e são 84 das 594 cadeiras do Congresso.


O sinal de alerta para o Executivo surgiu no mês passado, quando o PMDB lançou um documento intitulado "Uma ponte para o futuro". Em 19 páginas o partido tece críticas à política econômica e fiscal, cobra a execução de um orçamento mais realista e sugere a construção de uma agenda desenvolvimentista. É a primeira vez desde a candidatura de Ulysses Guimarães (em 1989) que o partido se depara sobre um documento em que faz planos para o Brasil. Segundo fontes da legenda, a ideia era sair na frente dos demais partidos para poder iniciar um diálogo com a militância e sugerir alterações antes das eleições. Os recados para os próximos anos já foram dados. O tal partido da governabilidade, agora, quer ser o protagonista.


Ao contrário de outras legendas que são multifacetadas em facções, o PMDB hoje tem apenas duas divisões: governistas e oposicionistas. O primeiro grupo, puxado pelo vice-presidente da República, Michel Temer, conta com nomes que, assim como ele, já estiveram ao lado de qualquer Governo, como os senadores Romero Jucá, Eunício Oliveira e Valdir Raupp.


O segundo grupo, organizado pelos ex-ministros Moreira Franco e Geddel Vieira Lima, já estiveram com o PT de Lula e Dilma, mas hoje são seus principais críticos. Toma-se como certo que, como Temer é um dos mais discretos políticos brasileiros, Franco e Lima são os responsáveis por transmitir publicamente as queixas que o vice-presidente gostaria de fazer a Rousseff, mas não as faz por conta do cargo que ocupa.


No Congresso Nacional é comum ver peemedebistas que parecem tucanos por contas das críticas tão ostensivas ao Governo, e outros que são quase petistas, tamanho afinco com que defendem a gestão Rousseff. A defesa não é em vão. Nas últimas semanas resultou na sua ampliação na participação no Governo, agora com sete ministérios. O retorno para o Planalto, porém, demorou. Poucos projetos de interesse do PT tramitaram na Câmara, muito por conta da falta de empenho de peemedebistas.


Apesar da pompa e da expectativa sobre o evento da próxima terça-feira, nenhuma definição deve sair dele por conta de seu critério informal e por se tratar de um encontro promovido pela Fundação Ulysses Guimarães, um braço do partido. As decisões peemedebistas ocorrem apenas durante reuniões da Executiva Nacional e nas Convenções. As próximas estão previstas para março de 2016. Mesmo assim, espera-se que surjam diversas críticas à aliança com o PT, tornando-se, portanto, um filtro capaz de mensurar o tamanho do apoio que Dilma Rousseff ainda tem dentro de seu principal aliado.


Nenhum assunto foi proibido. Todos os participantes do evento poderão reclamar do que for e, se quiserem, até elaborar cartas, manifestos ou outros documentos em que expressem suas insatisfações com Dilma ou até mesmo com o correligionário e presidente da Câmara, Eduardo Cunha. "Certamente alguém vai levantar a bola sobre a cassação do Cunha. Agora, vamos ter de decidir quem atacaremos, se ele ou a Dilma", disse um deputado aliado dele.


A postura mostra outro lado dos peemedebistas, que é o de criticar os erros dos outros, mas não olhar para si mesmos. Ao menos 10 dos 49 políticos investigados pela operação Lava Jato são filiados à sigla. Todos são suspeitos de terem se beneficiado do esquema que desviou ao menos 6 bilhões de reais da Petrobras por meio de pagamento de propinas por partes de empreiteiras. Entre eles estão Cunha e o presidente do Senado, Renan Calheiros. Nenhum dos dez suspeitos, porém, passou por qualquer investigação interna no PMDB.




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