Rio de Janeiro — 03 de dezembro de 2025
O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) — apontado como aliado direto do prefeito Dr. Serginho, de Cabo Frio — foi preso preventivamente na manhã desta quarta (3), durante a ação deflagrada pela Polícia Federal (PF) batizada de Operação Unha e Carne. A detenção ocorre no contexto de mais um capítulo da investigação sobre o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun.
De acordo com a PF, Bacellar é suspeito de ter repassado dados reservados da Operação Zargun — que em setembro resultou na prisão do então deputado estadual TH Joias. Esse suposto vazamento, afirmam os investigadores, teria permitido aos alvos antecipar movimentações, atrapalhando a investigação.
Além da prisão preventiva, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e uma ordem de intimação com medidas cautelares, todos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os endereços incluem a residência e o gabinete do parlamentar.
A ligação com Cabo Frio: apoio aberto e obras conjuntas
A proximidade entre Rodrigo Bacellar e a prefeitura de Cabo Frio sob Dr. Serginho já era pública. Em junho de 2025, quando Bacellar assumiu interinamente o governo do Estado, ele esteve na cidade para autorizar o início de um pacote de obras de reurbanização do centro local — 8,4 km de vias, com novo asfalto, sinalização e calçadas. A visita foi feita ao lado do prefeito, e o deputado reforçou “laços de amizade e institucionalidade” com o município.
O episódio reforçou a percepção de forte aliança entre o governo estadual — representado por Bacellar na Alerj — e a administração municipal de Cabo Frio. Desta forma, a prisão do presidente da Alerj não atinge apenas a esfera estadual, mas joga luz também sobre eventuais impactos político-administrativos em municípios com os quais ele mantinha relação estreita.
Implicações políticas e desdobramentos esperados
A detenção de Bacellar causa um abalo institucional na Alerj, justamente quando ele exercia a presidência e articulava projetos para os 92 municípios do estado.
Para a prefeitura de Cabo Frio, a prisão gera incertezas: parcerias, convênios e futuros repasses — que contavam com o aval de Bacellar — podem ser revistos ou atrasados.
No plano estadual, o caso reacende o debate sobre a infiltração de agentes públicos em investigações contra o crime organizado, e expõe a fragilidade de mecanismos de controle e sigilo.
A imagem pública de Bacellar, até então cotado como candidato à governador em 2026, fica seriamente comprometida, o que altera o tabuleiro eleitoral em todo o Rio.
O que se sabe até agora — e o que falta esclarecer
Confirmado:*
Informações pendentes:+
*Prisão preventiva de Rodrigo Bacellar pela PF.
+Conteúdo exato dos dados vazados da Operação Zargun.
*Oito mandados de busca e apreensão + intimações cumpridas. +Quantas pessoas, além de Bacellar, podem ser alvo da operação.
*Relação institucional e política entre Bacellar e a prefeitura de Cabo Frio (obras, convênios, apoio eleitoral).
+Se há participação direta do governo municipal nas supostas irregularidades do vazamento.
?? Por que esse caso merece atenção nacional
A prisão de um dos homens mais poderosos do Legislativo fluminense — e figura de peso na aproximação entre estado e municípios como Cabo Frio — expõe com clareza um dos maiores dilemas da política no Rio: a tênue linha entre poder, influência e controle institucional de investigações criminais.
Se confirmadas as suspeitas, a ação pode revelar um esquema de obstrução da Justiça com ramificações que vão além de uma simples ‘falha institucional’. E coloca — mais do que nunca — em xeque a confiança da população nas instituições democráticas.
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