As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira nos últimos dias provocaram uma das maiores tragédias climáticas recentes em Minas Gerais, deixando dezenas de mortos, desaparecidos, milhares de desabrigados e um rastro de destruição em cidades como Ubá, Juiz de Fora, Matias Barbosa e municípios vizinhos. O desastre também reacendeu o debate sobre políticas públicas de prevenção, após vir à tona a informação de que o governo estadual reduziu drasticamente os investimentos no combate e mitigação dos efeitos das chuvas.
Além do impacto humano e material, o episódio ganhou repercussão nacional após a circulação de um vídeo em que uma moradora confronta o governador Romeu Zema durante visita a Ubá. O registro viralizou nas redes sociais, especialmente após publicação no Instagram do Jornal O Impacto, onde ultrapassou a marca de um milhão de visualizações, tornando-se símbolo da indignação popular.
Mortes, desaparecidos e cenário de destruição
Segundo dados oficiais atualizados pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil, a tragédia já contabiliza 47 mortes confirmadas na Zona da Mata mineira, sendo 41 em Juiz de Fora e 6 em Ubá. Além disso, cerca de 20 pessoas permanecem desaparecidas, enquanto as equipes seguem em buscas ininterruptas em áreas de deslizamentos e soterramentos.
O número de desabrigados e desalojados chega a milhares, forçando a abertura de abrigos temporários em escolas, ginásios e centros comunitários. Em diversos bairros, ruas ficaram submersas, casas foram arrastadas pela força da água, pontes ruíram e vias de acesso ficaram interditadas.
Municípios como Matias Barbosa, além de comunidades rurais e bairros periféricos de cidades vizinhas, também foram severamente atingidos, ampliando a dimensão regional da catástrofe.
Cortes de 96% em verbas de prevenção
Levantamentos com base em dados do Portal da Transparência de Minas Gerais, analisados por veículos da imprensa nacional, revelam que o governo do estado promoveu uma redução de aproximadamente 96% nos recursos destinados a ações de prevenção e resposta aos impactos das chuvas.
Evolução dos investimentos:
2023: R$ 134,8 milhões
2024: R$ 41,1 milhões
2025: R$ 5,8 milhões
2026 (até fevereiro): R$ 36 mil
A queda representa uma redução de cerca de R$ 129 milhões em apenas dois anos. Os recursos faziam parte do programa “Suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas”, responsável por obras de drenagem urbana, contenção de encostas, prevenção de enchentes, gestão de riscos e apoio emergencial a municípios vulneráveis.
Em 2025, quase toda a verba remanescente foi destinada a intervenções em rodovias, praticamente zerando os investimentos diretos em prevenção urbana e proteção de áreas residenciais.
Governo Zema contesta números
Diante da repercussão negativa, o governo de Romeu Zema afirmou que os dados não refletem a totalidade dos investimentos realizados, citando aportes de R$ 200 milhões em obras de piscinões na Região Metropolitana de Belo Horizonte e R$ 70 milhões na aquisição de kits da Defesa Civil.
No entanto, segundo especialistas e levantamentos jornalísticos, esses valores não constam diretamente no programa específico voltado à prevenção dos impactos das chuvas, justamente o que sofreu os cortes mais expressivos, o que levanta questionamentos sobre a real prioridade dada ao tema.
Ações do governo estadual após a tragédia
Após o agravamento da situação, o governo de Minas enviou para as cidades atingidas:
Equipes da Defesa Civil estadual
Reforço do Corpo de Bombeiros
Kits de limpeza, colchões, roupas e produtos de higiene
Detentos do sistema prisional para auxiliar na limpeza urbana
Apesar das medidas emergenciais, não houve anúncio imediato de repasse financeiro robusto para reconstrução das áreas destruídas. O governo informou que realizaria avaliações técnicas para definir valores e cronogramas, o que gerou críticas por parte da população e lideranças locais.
Governo federal entra em campo com equipes e recursos
O governo federal, sob comando do presidente Lula, mobilizou rapidamente uma força-tarefa para atender os municípios atingidos.
Entre as principais medidas estão:
Envio da Defesa Civil Nacional
Mobilização da Força Nacional do SUS
Apoio logístico e técnico do Sistema Único de Assistência Social
Reforço nas equipes de resgate e atendimento médico
Reconhecimento federal do estado de calamidade pública
Também foram liberados recursos financeiros emergenciais, totalizando R$ 3,4 milhões, sendo R$ 482,4 mil destinados exclusivamente a Ubá e R$ 2,9 milhões para Juiz de Fora. Além disso, foi anunciado auxílio financeiro direto às famílias desabrigadas.
Vídeo viral e indignação popular
Durante a visita do governador a Ubá, uma moradora gravou um vídeo cobrando ações imediatas, criticando o tom político da agenda oficial e questionando a ausência de ajuda prática naquele momento. O registro ganhou forte repercussão nacional.
Após publicação no Instagram do Jornal O Impacto, o vídeo ultrapassou 1 milhão de visualizações, acumulando milhares de curtidas e comentários. O conteúdo tornou-se um dos principais símbolos da revolta popular diante da tragédia, evidenciando a insatisfação com a resposta estadual e a cobrança por políticas públicas mais eficazes de prevenção.
Especialistas alertam: prevenção custa menos que reconstrução
Especialistas em gestão de riscos e engenharia urbana destacam que investimentos em prevenção são significativamente mais baratos do que os custos sociais e financeiros da reconstrução após desastres. Obras de drenagem, contenção de encostas e mapeamento de áreas de risco poderiam reduzir drasticamente o número de vítimas e prejuízos materiais.
A tragédia reacende o debate sobre o planejamento urbano, a ocupação desordenada de áreas vulneráveis e a necessidade de políticas permanentes de adaptação às mudanças climáticas.
Cenário ainda é de alerta
Com o solo encharcado e previsão de novas chuvas, a Defesa Civil mantém alerta máximo para risco de novos deslizamentos. As buscas por desaparecidos continuam, enquanto milhares de famílias enfrentam o desafio de reconstruir suas vidas.
Resumo da tragédia na Zona da Mata (até 26/02/2026)
Mortes confirmadas: 47
Desaparecidos: cerca de 20
Desabrigados e desalojados: milhares
Principais cidades atingidas: Juiz de Fora, Ubá, Matias Barbosa e municípios vizinhos
Recursos federais emergenciais: R$ 3,4 milhões.
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