Durante evento realizado neste sábado (24), na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez declarações sobre a situação política e de segurança pública do estado que repercutiram entre autoridades fluminenses. Ao comentar o cenário político do Rio, Lula afirmou que, caso a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) fosse responsável pela escolha do governador, “viria um miliciano”, declaração que gerou críticas e manifestações de repúdio por parte de parlamentares estaduais.
O presidente estava acompanhado do governador em exercício, Ricardo Couto, durante o evento. Em sua fala, Lula também cobrou maior rigor no combate à corrupção e à criminalidade no estado.
A declaração provocou reação imediata do presidente da Alerj, Douglas Ruas, que divulgou nota pública e vídeo nas redes sociais criticando o posicionamento do presidente da República. Segundo o parlamentar, a fala generalizou os integrantes da Assembleia e desrespeitou a população fluminense.
No pronunciamento, Douglas Ruas afirmou que o combate ao crime organizado deve ocorrer com fortalecimento das instituições democráticas e das forças de segurança, além de citar críticas aos governos petistas em relação ao avanço de facções criminosas e milícias em diferentes estados do país.
Pela legislação estadual, em eventual vacância simultânea dos cargos de governador e vice-governador, o presidente da Alerj pode assumir interinamente o comando do Executivo estadual até definição legal do processo sucessório.
A repercussão das declarações também reacendeu debates políticos sobre antigas alianças no Rio de Janeiro envolvendo o presidente Lula, o ex-governador Sérgio Cabral e o prefeito da capital, Eduardo Paes.
Historicamente, a aproximação entre Lula e Sérgio Cabral teve início ainda nos anos 2000, durante o fortalecimento da aliança entre PT e PMDB no estado. Em 2006, Cabral disputou o governo do Rio com apoio político do então presidente, consolidando posteriormente uma parceria institucional que também incluiu Eduardo Paes, eleito prefeito da capital em 2008.
Analistas políticos avaliam que a relação entre os três líderes foi importante para ampliar a influência do governo federal no Rio de Janeiro naquele período. Ao longo dos anos seguintes, entretanto, a Operação Lava Jato trouxe impactos para esse grupo político, especialmente após as condenações envolvendo Sérgio Cabral em processos relacionados à corrupção.
As declarações de Lula também ampliaram o debate sobre os rumos das eleições estaduais de 2026 no Rio de Janeiro e sobre possíveis alianças nacionais entre partidos como PT e PSD. Eduardo Paes é apontado nos bastidores políticos como possível nome para disputar o governo estadual.
Até o momento, o Palácio do Planalto não divulgou nota oficial comentando a repercussão das declarações feitas pelo presidente durante o evento na Fiocruz.
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