Moradores do Loteamento do Bigode, em Carangola (MG), voltaram a denunciar problemas estruturais e ambientais que, segundo eles, colocam em risco a segurança de diversas famílias. As reclamações apontam que a situação se arrasta há anos, sem que medidas definitivas sejam adotadas pelos órgãos responsáveis.
Entre as principais preocupações está um buraco a céu aberto, com aproximadamente sete metros de profundidade, localizado em uma das ruas do loteamento. Segundo os moradores, o local permanece apenas sinalizado com placas de interdição, sem a realização de obras para eliminar o risco de acidentes.
Além disso, os relatos indicam a existência de alagamentos frequentes, afundamento de vias, falta de drenagem adequada, ausência de bocas de lobo e movimentação do solo, fatores que aumentam a preocupação principalmente durante o período chuvoso.
De acordo com documentos apresentados pelos moradores, as primeiras reivindicações foram feitas ainda em agosto de 2023, quando a Secretaria Municipal de Obras foi procurada para tratar de problemas como água invadindo residências e deficiência na infraestrutura do loteamento.
Em novembro do mesmo ano, foi registrado um boletim de ocorrência junto à Defesa Civil, sendo posteriormente emitidos outros cinco registros relacionados a danos estruturais e instabilidade das moradias.
Em fevereiro de 2024, os moradores também acionaram o Ministério Público em busca de fiscalização e providências. Meses depois, em agosto, uma engenheira ambiental contratada por moradores elaborou um laudo técnico apontando a existência de um curso d'água no loteamento e a realização de obras em área de preservação permanente.
Segundo o documento, o desvio desse curso d'água teria provocado o acúmulo de água em diversos pontos do bairro, contribuindo para prejuízos às residências e agravando os problemas de infraestrutura. Ainda conforme os moradores, pareceres técnicos emitidos posteriormente pela própria Prefeitura reforçariam as constatações do laudo.
Outro episódio citado ocorreu em janeiro de 2025, quando uma residência foi interditada pela Defesa Civil devido a rachaduras e instabilidade provocadas pela movimentação do solo. A moradora precisou deixar o imóvel com um filho pequeno e, segundo o relato, passou a arcar simultaneamente com as prestações do financiamento habitacional e o aluguel de outra residência, sem receber auxílio social.
Os moradores também afirmam que um laudo geotécnico emitido pelo engenheiro civil Enivaldo Minett, em dezembro de 2025, recomendou a adoção de medidas emergenciais por parte do município. No entanto, eles alegam que, até o momento, não foram executadas obras efetivas para solucionar os problemas.
A comunidade cobra uma resposta das autoridades e manifesta preocupação com a possibilidade de novos deslizamentos, perda de imóveis e acidentes envolvendo pedestres e motoristas. Segundo os relatos, diversas tentativas de diálogo com representantes do poder público e vereadores já foram realizadas, mas os moradores afirmam que ainda aguardam soluções concretas.
O Jornal O Impacto deixa espaço aberto para que a Prefeitura de Carangola, a Defesa Civil e demais órgãos citados apresentem seus esclarecimentos e informem quais medidas estão sendo adotadas para enfrentar a situação no Loteamento do Bigode.
Jornalista: Antenor Gonçalves Neto | DRT: 18.587/MG
Nosso Whatsapp (32) 998112765