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Porque Tremembé prende tanto o público? Um olhar pela psicanálise.

O fascínio por Tremembé: um olhar psicanalítico sobre o envolvimento do público

Publicada em 07/11/2025 às 10:38h - 656 visualizações - Mayara Eleuterio Goes


Porque Tremembé prende tanto o público? Um olhar pela psicanálise.
 (Foto: Divulgação)



A série brasileira Tremembé, lançada recentemente pelo Prime Video, virou assunto nas redes sociais e tem prendido a atenção de milhões de pessoas. Inspirada em casos reais do presídio de mesmo nome, conhecido como “a prisão dos famosos”, a produção mistura realidade e ficção para retratar a vida de pessoas envolvidas em crimes de grande repercussão. 

Mas o que explica tanto interesse?

Pela ótica da psicanálise, essa empolgação revela muito mais sobre o público do que sobre a própria série.

O encontro com o “proibido”

Desde Freud, a psicanálise aponta que o ser humano é atraído pelo que é tabu. Crimes brutais despertam medo, curiosidade e uma estranha forma de fascínio, porque tocam o limite do que consideramos possível em nós mesmos. Tremembé oferece uma forma segura de entrar em contato com esse “lado sombrio”: é possível ver o inaceitável sem precisar vivê-lo.

O caso de Elize Matsunaga: o crime que virou espelho

Entre as histórias que inspiram a série, o caso de Elize Matsunaga é um dos que mais mexem com o público. Em 2012, Elize matou e esquartejou o marido, Marcos Matsunaga, após anos relatando situações de humilhação e violência. O crime chocou o país, mas também dividiu opiniões: uns a viam como “monstro”, outros como “mulher em limite”.

Do ponto de vista psicanalítico, esse tipo de narrativa gera um conflito interno no espectador.

De um lado, há repulsa diante do ato extremo; de outro, há empatia pela dor e pelo sofrimento que a antecederam. Essa ambiguidade cria uma ligação emocional intensa, porque o público se vê entre o “certo” e o “errado”, entre o “humano” e o “imperdoável”.

A psicanálise explica que essa oscilação entre repulsa e identificação é justamente o que mantém o olhar preso à tela. O caso de Elize desperta algo arcaico no inconsciente coletivo: o impulso de sobrevivência, a raiva reprimida, a sensação de injustiça e a dificuldade de lidar com a própria agressividade.

A curiosidade como forma de defesa

Ver histórias como a de Elize, ou outras retratadas em Tremembé, também funciona como uma forma de defesa emocional. Ao assistir, o espectador racionaliza o horror: transforma o medo em curiosidade, o julgamento em análise.

É o inconsciente tentando compreender algo que, na vida real, seria insuportável vivenciar.

Catarse e reflexão

Assistir a Tremembé permite uma descarga simbólica de emoções. O público sente raiva, angústia, compaixão — e tudo isso dentro de um ambiente controlado. Essa “catarse” gera alívio e até uma sensação de purificação, como se o espectador processasse, por meio da ficção, seus próprios conflitos internos.

Em resumo

O sucesso de Tremembé não vem apenas de sua produção impecável ou de histórias conhecidas.

Ele vem do que a série desperta, o medo, a empatia, o julgamento e o espelho que ela coloca diante de cada um.

Casos como o de Elize Matsunaga tocam feridas sociais e psíquicas profundas: a violência doméstica, o desespero, o limite do suportável.

Pela lente da psicanálise, a série é mais do que entretenimento: é um convite inconsciente para olharmos nossas próprias sombras, aquelas que normalmente escondemos, mas que a arte, às vezes, revela sem pedir licença.

Por: Mayara Eleuterio - Psicanalista




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1 comentário


Elias

07/11/2025 - 23:14:02

Esse é um relato que eu nem conhecia, muito interessante mesmo 🙏🙏


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