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Faça o 'teste do pescoço' e saiba se existe racismo no Brasil

Publicada em 10/11/2025 às 09:38h - 377 visualizações - Dalgiza Rufino Marques


Faça o 'teste do pescoço' e saiba se existe racismo no Brasil
 (Foto: Reprodução da internet)



‘Esse não é um texto recente e não foi escrito por mim, mas no mês da “Consciência  Negra” ele é muito relevante. Se chama O "teste do pescoço" e é uma dinâmica social para identificar a presença do racismo estrutural através da observação da representatividade de pessoas negras em diversos espaços. O exercício consiste em "meter o pescoço" (observar) para contar quantos negros há em posições de poder ou em funções menos valorizadas, mostrando como a desigualdade racial se manifesta no cotidiano.  O teste mostra de forma visual e prática como pessoas negras estão desproporcionalmente em posições subalternas e com menores salários.
Como fazer o teste
1. Andando pelas ruas, meta o pescoço dentro das joalherias e conte quantos negros/as são balconistas;
2. Vá em quaisquer escolas particulares, sobretudo as de ponta como; Objetivo, Dante Alighieri, Bernoulli, entre outras, espiche o pescoço pra dentro das salas e conte quantos alunos negros/as há . Aproveite, conte quantos  negros/as estão varrendo o chão;
3. Vá em hospitais tipo Sírio Libanês, enfie o pescoço nos quartos e conte quantos pacientes são negros, meta o pescoço a contar quantos negros médicos há, e aproveite para meter o pescoço nos corredores e conte quantos negros/a trabalham na limpeza.
4. Espiche o pescoço e observe as reuniões de partidos, os cargos de liderança e a composição dos eventos e  conte quantos políticos são negros desde a fundação dos mesmos, e depois reflitam a respeito de serem contra todas as reivindicações da etnia negra.
5. Gire o pescoço a procurar quantas empregadas domésticas, serviçais, faxineiros, favelados e mendigos são de etnia branca. Depois pergunte-se qual a causa dos descendentes de europeus, ou orientais, não serem vistos embaixo das pontes ou em favelas ou na mendicância ou varrendo o chão; Meta o pescoço nos livros, internet e pesquise:  Quando seus ascendentes chegaram ao Brasil? Quando terminou a Abolição?
6. Espiche bem o pescoço na hora do Globo Rural e conte quantos fazendeiros são negros, depois tire a conclusão de quantos são sem-terra, quantos são sem-teto. No programa da Globo Pequenas Empresas& Grandes Negócios, quantos empresários são negros?
7.   Meta o pescoço nas cadeias, nos orfanatos, nas casas de correção para menores, e conte quantos são brancos. É mais fácil. Veja nos noticiários, dos erros dos policiais que atiram em jovens pra matar sem que tenham oportunidade de um julgamento justo, conforme manda lei. Melhor contar quantos dos jovens mortos pela polícia são brancos, também fica mais fácil.
8.. Enfie seu pescoço dentro das instituições bancárias e conte quantos negros são gerentes, quantos estão em cargos de chefia e quantos são faxineiros. Se puder, espiche o pescoço e conte quantos negros são donos de banco.
9. Sobre linchamentos, em sua maioria as pessoas morrem por motivos torpes ou inocentes por terem sido  confundidos com bandidos. Estique seu pescoço e conte quantos destes linchados com requinte de crueldade, eram loiros de olhos azuis?
10. Torça o pescoço a procurar mulheres que criam seus filhos sozinhas. Mulheres do tipo que tem de trabalhar o dia todo por um salário mínimo, deixando seus filhos sozinhos à mercê da criação da rua e que depois serão as mesmas que irão chorar a morte de seus filhos expostos nos itens 5 e 7. Quantas são brancas?
Eu também, Dalgiza, faço o teste com muita freqüência aqui em Divino. Por isso, vou contribuir com mais alguns itens:
a) Quantos prefeitos negros Divino já teve?
b) Quantos professores negros você já teve ao longo de sua vida estudantil?
c) Quantos negros, donos de armazém de café, você conhece aqui em Divino?
d) Quantos bóias-frias, babás e empregadas domesticas negras você conhece aqui em Divino? 
e) Por quantos médicos ou dentistas negros você já foi atendido?
Você descobriu mais alguma coisa? Envie-me  para acrescentar a esta lista.
Aplique o Teste do Pescoço no seu dia a dia, em todos os lugares e tire suas próprias conclusões. Questione-se: se hoje a população parda e preta  é em torno de 56¨%, somos de fato um país pluricultural?  Somos tratados iguais e com as mesmas chances? Desde quando existe esta diferença que você viu? Procure na História do seu país, regresse 500 anos e encontre as respostas. 
 
Axé Dalgiza



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1 comentário


Maria Inês

11/11/2025 - 07:15:52

Bom dia!Infelizmente, professora Dalgiza, você tem razão. Ainda não somos uma sociedade justa e o Brasil tem muito a caminhar e a aprender.


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