Pesquisas científicas têm apontado uma relação consistente entre a depressão não tratada e o aumento do risco de desenvolver a doença de Alzheimer ao longo da vida. Embora a depressão não seja considerada uma causa direta da doença, estudos indicam que episódios depressivos prolongados podem fragilizar o funcionamento do cérebro com o passar dos anos.
A depressão afeta áreas cerebrais responsáveis pela memória, pela atenção e pela capacidade de aprendizado. Quando esses sintomas permanecem sem tratamento, podem comprometer a chamada reserva cognitiva, que funciona como uma proteção natural do cérebro frente ao envelhecimento e às doenças neurodegenerativas.
Além disso, a depressão costuma vir acompanhada de isolamento social, diminuição das atividades intelectuais, alterações no sono e desânimo persistente (fatores que também são reconhecidos como riscos importantes para o desenvolvimento do Alzheimer).
Do ponto de vista da psicanálise, a depressão não tratada pode ser compreendida como um sofrimento psíquico que permanece silenciado, sem elaboração. Quando a dor emocional não encontra espaço para ser simbolizada, ela tende a se expressar de outras formas, inclusive no corpo e no funcionamento mental.
Especialistas reforçam que cuidar da saúde mental é uma forma de prevenção. Buscar ajuda profissional, tratar a depressão e manter vínculos sociais e atividades que estimulem o cérebro são atitudes que protegem não apenas o bem-estar emocional, mas também a saúde cerebral a longo prazo.
Falar sobre depressão, reconhecer seus sinais e tratar precocemente é um cuidado que atravessa o presente e alcança o futuro.
Por: Mayara Eleuterio
Psicanalista e Neurocientista
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