A fonte é uma pesquisa que saiu na Presbiteriana Outlook, que é uma espécie de revista digital de assuntos confessionais feita por Lezin e traz a longa história de escravidão e racismo na igreja presbiteriana nos Estados Unidos. Inclusive, essa igreja americana é mãe da Igreja Presbiteriana no Brasil porque foi de lá que vieram missionários para fundar a igreja presbiteriana aqui no Brasil. Esta Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos está profundamente entrelaçada com a violência e a desumanidade da escravidão e com o racismo.
E Willian Hull, que é professor assistente de história Religiosa e cultural americana no Seminário Teológico de Colômbia, conta no livro dele “What kind of Christiane que a history of lavey and Black racism” foi lançado pela Westminton Nox. Hull inclusive esteve conversando com líderes presbiterianos da igreja e foi muito interessante essa reunião que aconteceu na cidade de Nova York em 29 de setembro do mesmo ano de 2022. Nessa reunião estava Denise Anderson que foi uma ex- moderadora da assembleia geral e agora ela é diretora interina de Equidade racial e ministérios interculturais de mulheres na agência de Missões Presbiterianas.
Em seu relato ela diz “ Aqui não é apenas o passado ao ler o livro, eu vi a igreja em 2020 quando as assembleias se recusaram a fazer um relatório sobre disparidade de vida por mulheres e meninas negras”.
Willian traz uma questão muito interessante, o livro dele começa com uma pergunta feita pela primeira mulher negra a ser ordenada como ministra da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos que foi a Kate Jennifer e ela levantava a seguinte questão: “Onde estava a igreja quando mulheres negras e homens negros meninos negros e meninas negras estavam sendo estuprados, abusados sexualmente, linchados, assassinados, castrados e oprimidos fisicamente? Que tipo de cristianismo permitiu aos cristãos negar Direitos Humanos básicos e dignidade simples aos negros? Esses mesmos direitos que foram dados a outros sem questionar?
Uma pergunta extremamente profunda que a Katy Jennfer Canon faz e o Hull traz uma resposta que tem um viés teológico obviamente confessional. Ele diz: é o tipo errado de cristianismo. Em outras palavras, ele afirma que os brancos nos séculos da escravidão entendiam sim as atrocidades em que eles estavam envolvidos e sabiam que era ruim.
Esse é um dos argumentos inclusive que está presente no livro dele. “Que presbiterianos se recusaram a denunciar a escravidão e quando eles tiveram a chance de se opor a escravidão eles não o fizeram.” Esse fato ocorreu quando quando teve uma assembleia geral que é narrada aqui em 1836, o presbitério de TileCoach enviou uma carta chamando a escravização de negros de pecado e escândalo hediondo e exigindo ação contra os escravizadores, inclusive proibindo eles de receber comunhão.
O comitê explicou que esse era um tema que causaria divisão e adiou várias vezes,adiou adiou, adiou, e no final da Assembleia adiou de forma indefinidamente, ou seja, eles se recusaram a denunciar a escravidão. Inclusive duas pessoas votaram contra adiamento também. Um deles era John Ranking que era um ministro branco, de Ohio que ele escreveu 21 cartas condenando a violência da escravidão e defendendo que brancos escravizando negros era imoral cruel e depravado.
O outro presbiteriano, um juiz Branco Eugênio Nisbitz, ancião do presbitério dena Geórgia. Ele votou contra o adiamento porque queria que a igreja defendesse a escravidão e repreendesse os abolicionistas.
Uma verdade Inconveniente e incômoda e que muitas vezes as pessoas não querem que a gente toca é que os presbiterianos possuíam escravos e em 1845, Frederick Douglass um dos mais importantes abolicionistas do pan-africanismo, escreveu em sua autobiografia sobre a diferença entre o cristianismo puro, chamado de ou cristianismo Genuíno e o cristianismo corrupto, escravista chicoteador de mulheres, saqueador de berços, parcial, hipócrita e ele conclui dizendo que certamente se aplica ao presbiterianismo, onde ministros brancos, congregações e membros da igreja eram todos escravizadores.
Com base nos dados disponíveis William estima que em 1860, de 50 mil a 75 mil presbiterianos brancos eram escravizadores. Alguns desses presbiterianos ele diz incluindo ministros, são culpados de cometer abuso físico, psicológico, sexual e espiritual contra pessoas escravizadas e ele cita inclusive nesse capítulo o exemplo de Elizabethley, escravizada por uma família Presbiteriana foi espancada severamente quando tinha quatro anos, suportou uma separação angustiada de seu pai, enviado para o Oeste, foi chicoteada por um ministro branco com quem foi forçada a viver, foi despida por um diretor de escola que era membro da congregação do ministro, foi estuprada e engravidada por um homem branco. Um jornal da igreja chamado Colômbia Teológics Seminnary arrecadou dinheiro com leilão de pessoas escravizadas No referido jornal, os nomes dos escravizados são todos listados como propriedade que foi vendida pelo seminário que recebeu o lucro.
Uma outra verdade inconveniente: os presbiterianos não eram abolicionistas e Huul traz a ideia de que houve três interpretações incorretas sobre isso:
1. Que os cristãos brancos não sabiam do que se tratavam ; não sabiam que era ruim. (claro que sabia o que era ruim).
2. Que foi erro de interpretação bíblica que levou os presbiterianos apoiar a escravidão.( Não, eles utilizaram a Bíblia como uma arma para validar a crueldade deles próprios).
3. A própria escravidão causou divisão entre Batista do Norte E Batistas do Sul com presbiterianismo.
A autora do artigo traz uma outra questão: que os ministros hoje precisam parar de ficar calados sobre o racismo em suas Comunidades e congregações. Segundo ela, muitos dos seus colegas no ministério Paroquial tem medo de falar a verdade com medo de perder seus empregos e quando ela faz isso tem um recebido muita resistência de fiéis que não se sentem à vontade para defender a justiça social. E aí o Huul pergunta: vamos viver o evangelho ou ficar com o que é confortável e seguro? Lembrando que o silêncio traz seu próprio custo.
Nossos filhos estão nos observando. O que não estamos dizendo é tão importante quanto o que estamos dizendo.
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