O que antes poderia parecer improvável virou uma das principais imagens da eleição de 2026 no Rio de Janeiro: PT e PSD unidos no mesmo palanque em torno da candidatura de Eduardo Paes ao Governo do Estado.
Neste sábado (22), em ato realizado em Bangu, Lula apareceu ao lado de Paes, Benedita da Silva e Pedro Paulo, consolidando publicamente a aliança. O presidente pediu apoio ao projeto e chegou a declarar confiança em Pedro Paulo, candidato ao Senado pelo PSD.
A fotografia simboliza uma mudança importante no tabuleiro político fluminense. De um lado, o ex-prefeito do Rio tenta ampliar sua base para além do eleitorado tradicional do PSD. Do outro, o PT aposta em Paes para disputar o comando do Estado, enquanto Benedita e Pedro Paulo buscam as duas vagas ao Senado.
Mas a aliança também abre espaço para questionamentos sobre os critérios utilizados para formar esse novo bloco político.
Um dos episódios que ganhou repercussão durante a campanha envolve a Operação Anáfora, da Polícia Federal. Em junho, a PF cumpriu mandados relacionados a uma investigação que tinha entre os alvos o ex-deputado Washington Reis e sua irmã, Jane Reis, que havia sido indicada para compor a chapa de Paes como candidata a vice-governadora. A investigação apura suspeitas de organização criminosa, fraude a licitação e lavagem de dinheiro. Jane Reis afirmou que não era citada na investigação e que permanecia à disposição das autoridades. Os investigados negam irregularidades.
O episódio não significa que Eduardo Paes seja investigado nesse caso, mas politicamente colocou sua aliança sob questionamento. A própria imprensa destacou o contraste entre os ataques de Paes a adversários envolvidos em investigações e seu silêncio diante da operação que atingiu pessoas ligadas à sua composição eleitoral.
Agora, com a campanha oficialmente nas ruas, a disputa começa a ser apresentada cada vez mais como uma escolha entre projetos políticos diferentes.
De um lado, Paes conta com uma ampla aliança, incluindo o PT de Lula. Do outro, Douglas Ruas, presidente da Alerj e candidato do PL, tenta ocupar o espaço de oposição a esse grupo e se apresentar como uma alternativa para o eleitor que não deseja a aproximação entre o PSD e o governo petista.
A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21) mostra Paes na liderança, com 41%, seguido por Douglas Ruas, com 19%. Mas o levantamento também revela um dado importante: na pesquisa espontânea, quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, 52% ainda não sabem em quem votar.
Ou seja: apesar da vantagem atual de Paes, a eleição está longe de estar definida.
A grande questão que começa a se colocar ao eleitor fluminense é simples: a união entre PT e PSD representa uma solução para os problemas do Rio ou apenas uma nova composição do velho jogo político?
A resposta será dada nas urnas.
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